Chemistry, the change of colours


«O meu pai tinha um consultório em casa, com todo o tipo de elixires no dispensário - parecia uma farmácia das antigas em miniatura - um pequeno laboratório com uma lâmpada de álcool, tubos de ensaio e reagentes reativos para examinar a urina dos pacientes como também a solução de azul brilhante de fehling, que se tornava amarela quando havia açúcar na urina. Havia poções de cor vermelho cereja e amarelo dourado, e linimentos como o violeta de genciana e verde malaquite».
Oliver Sacks, relativamente à sua infância.

A indústria química não voltará a assistir a outros 50 anos como os que viveu no início da década de 1770, quando ainda tudo estava por descobrir. No princípio não se conhecia nenhum dos verdadeiros elementos químicos - hoje agrupados numa tabela1 - e os académicos ainda procuravam entender o significado dos quatro elementos de Empédocles.
Em 1820, os químicos já apresentavam uma linguagem comum e de algum modo semelhante à de hoje, e a química por sua vez já se apresentava como uma profissão lucrativa. A lista de elementos químicos foi sendo acrescentada e o – Tratado Elementar de Química (1789), escrito por Antoine Lavoisier, um químico Francês, pronunciava trinta e um elementos, aos quais se juntavam, entre 1790 e 1848 outros vinte e nove produtos químicos.
Não é por acaso que esta época, sendo de gestação, foi um período de eclosão. Depois de séculos de pesquisa e investigação industrial, surgem no mercado uma infinidade de novos produtos – pigmentos – que conduzem os pintores a adotar outros critérios de seleção.
Esta etapa evolutiva dividiu assim os pintores: aqueles que mantiveram a utilização das tintas e autodenominavam-se coloristas, enquanto outros optavam por materiais produzidos pela indústria química no revestimento de grandes superfícies. Quebrando barreiras, abraçam novos procedimentos e novas técnicas, seguindo por um tempo o caminho da experimentação. Sem surpresa, aqueles que optaram pela experimentação dos novos compostos também foram os inovadores do estilo artístico (...)2.
De facto, poucas das obras com cor produzidas até 1960, não sendo exatamente pinturas, ainda que pintadas e passiveis de serem penduradas na parede, recorrem à tinta a óleo ou qualquer outra tinta específica para a arte. Warhol usava sobre as suas telas tintas de serigrafia, Klein fixava aos seus pinceis esponjas e outros materiais, enquanto Judd, Flavin, e Rauschenberg, trabalhavam o espaço tridimensional da pintura3.


1 A “Tabela Periódica” organiza sistematicamente todos os elementos químicos conhecidos em função das suas propriedades.  

2 BALL, Phillip – La invencion del color. 1º ed, Barcelona: Debolsillo, 2009, p.193.

3 BATCHELOR, David – Cromofobia. Tradução Marcelo Mendes. São Paulo: Editora Senac São Paulo,[s.d.]. 2007 ISNB 978-85-7359-648-9



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