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Segundo Ortega, atingiu as nossas sociedades a partir do início do século XX, momento em que as cidades urbanas ganham uma construção geométrica.
Percebemos que o aparecimento das vanguardas, como o Dadaísmo e o Futurismo, entre outros, no início do séc. XX são reflexos duma arquitetura rígida-linear, própria das cidades, afastando progressivamente a figura humana da arte enquanto tema central da obra.
No modernismo de Ortega, a arte é como um elo entre a vida social e o homem, impulsionando o artista para uma expressão geométrica em detrimento da representação figurativa, a vida quotidiana.
Há toda uma geração de artistas que expressam os seus sentimentos através de retângulos e quadrados vendo-se obrigados em determinado momento, a recorrer aos médios para encontrar o equilíbrio com o seu lado mais humano – “a desumanização da arte”.
Os meus interesses visuais refletem alteração da cor através da perceção à forma. Abstração Geométrica presente na minha pintura, remete-nos para uma comunicação global, sendo a figura “retângulo” a representação do monitor/ecrã TV. Comunicamos através dos programas de televisão, (imagem), através do som, recorremos e utilizamos o lettering.
A nossa sociedade inconscientemente impõe cada vez mais o consumo repetido e continuado de programas de televisão, como o da Oprah, dos Gordos, das Celebridades, etc., levando o espectador a efetuar um ritual de humanização, transformando o Televisor numa espécie de “objeto-mor” próximo da transcendência.

Na minha pintura interessa-me o Ritual de humanização.
Ainda no meu percurso existem reminiscências à embalagem do medicamento, que sofreu um processo de descontextualização para chegar a este objeto retângular que é o ecrã. De forma indireta as questões da toma do medicamento como ato curatório, mantem-se ainda, só que de um modo virtual.


Pedro Almeida
2011


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